Resumo


Todo ser humano é um ser social - necessita de outros para viver. Pela convivência pode desenvolver os potenciais intelectual, afetivo e, consequentemente, o psicossocial. Um dos fatores críticos sociais é o problema de relacionamento humano, cujo cerne se encontra na afetividade. As queixas das instituições eram que os jovens apresentavam falta de respeito entre si e não se integravam. Como se considera a atividade do jogar um meio de se relacionar socialmente (Piaget, 1932) e também uma função psicopedagógica construtivista, estruturante cognitivo (Macedo, 1992), então, esse projeto. . .


Investigou-se a função psicopedagógica (estruturante) do jogo de regras no relacionamento intragrupal, como interventor de mudanças sócio-afetivas de pré-adolescentes de duas instituições filantrópicas, com lares de estrutura sócio-econômica mínima.


Eram 10 sujeitos de 10 a 13 anos, de ambos os sexos, todos no período da inteligência lógica e operatória concreta. Constituíram dois grupos: um estruturado por 4 Ss em regime de atendimento de abrigo e o outro, com 6 Ss de uma entidade em regime de semi-abrigo; todos selecionados estratificadamente.


Utilizou-se as Provas Operatórias Piagetianas com os sujeitos e Entrevistas de Anamnese com os pais. Pelo Método Clínico de Piaget e o registro por videogravação, os dados foram levantados através de situações com o jogo 'Quilles', correlacionadas às sociais já vividas, verificando as noções de: regras (desejo x respeito), espaço (razão x limites), tempo (tolerância x frustração), acaso (aceitação x auto-controle) e causa (lógica e emoção).


Nas anamneses existiam indícios perturbadores ao bom desenvolvimento psico-afetivo dos sujeitos e, pelo ato de jogar, surgiu a confirmação de sentimentos reestruturados nas condutas, pela 'tomada de consciência' através do discurso. Gerou mudança comportamental individual, e entre eles, e uma generalização de interesse por jogos.


O jogo de regras favoreceu o relacionamento intragrupal, pelo aumento da auto-estima individual, e efetivou a cooperação e a sociabilidade entre os sujeitos, acelerando o processo de socialização de cada um. Sugere-se esse procedimento como recurso preventivo de saúde mental, em nível primário, do desenvolvimento infantil no período da inteligência lógica e operatória concreta.

 
1996 - 2009 Beatriz Piccolo Gimenes / Designer Cinara Piccolo